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TECNOLOGIA: TECNOLOGIA MINEIRA VAI PROCESSAR TERRAS RARAS

 Indústria de máquinas e equipamentos é um dos setores com demanda de ímãs obtidos de terras-raras que permitem alta eficiência energética (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 13/8/09)

          Projeto pioneiro, laboratório-fábrica de componentes de última geração feitos do material encontrado em Araxá será licitado neste mês pela Codemig, empresa do governo mineiro

 

Fora do tradicional circuito da produção de minério de ferro e aço, Minas Gerais dá novo passo neste mês para se tonar o primeiro estado fornecedor dos sofisticados ímãs de terras-raras. Esses componentes de óxidos e metais tão raros no mundo têm sido usados na fabricação de aerogeradores e motores elétricos para máquinas industriais, eletrodomésticos, elevadores e carros híbridos e elétricos, cobiçados dos Estados Unidos à China. A locomotiva asiática responde pela produção de mais de 90% dessas substâncias portadoras da chamada economia do futuro. O projeto pioneiro de um laboratório-fábrica em terras mineiras será licitado em maio pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), empresa pública controlada pelo estado.

          O presidente da Codemig, Marco Antonio Castello Branco, informou que o processo de licenciamento foi concluído e os investimentos iniciais deverão somar R$ 50 milhões. O empreendimento será instalado em área de 9,6 mil metros quadrados localizada no município de Lagoa Santa, na Grande Belo Horizonte, nas proximidades do Aeroporto Internacional .

“Trata-se de um projeto não somente inovador como de grande importância para o Brasil. O país deverá importar neste ano cerca de 1.400 toneladas de ímãs, boa parte delas embarcada em componentes. Quando a gente começar a produzir localmente podemos criar uma ligação com o promissor mercado desse produto”, afirma o presidente da Codemig. O programa envolve o apoio ao desenvolvimento de competências para a produção das ligas e dos ímãs de diferentes características para atender à diversidade de aplicações, com estimativa de gerar aportes de R$ 100 milhões nos próximos cinco anos, segundo Castello Branco.

Esses componentes são usados em várias cadeias de produção intensivas no consumo de energia nas quais a indústria necessita de alta eficiência. O plano de negócio do laboratório-fábrica indica produção bem modesta no primeiro ano de funcionamento, de 35 toneladas, para alcançar o nível considerado possível para criar elo com o mercado, de 100 toneladas.

Outro resultado essencial da iniciativa está na valorização das reservas de terras-raras existentes em Minas. A matéria-prima da fábrica será o minério contido nas áreas de monazita, associadas à obtenção do nióbio de Araxá, no Alto Paranaíba, exploração concentrada nas mãos da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), parceira da Codemig no projeto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


PLANO DE NEGÓCIOS A companhia mineira contratou, por R$ 3 milhões, a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi), organização de pesquisa e desenvolvimento sem fins lucrativos sediada no câmpus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, para elaborar o plano de negócio e o projeto executivo do laboratório. O contrato prevê, ainda, a realização de estudos de viabilidade técnica, econômica, comercial e ambiental de uma unidade industrial de grande porte de ligas e ímãs permanentes de terras-raras no estado.

Entre as ações de apoio à produção, caberá à Fundação Certi atuar na atração ou desenvolvimento de empresas fornecedoras de equipamentos e insumos nos setores de mineração e metalurgia; estímulo a pesquisas em universidades e institutos de tecnologia e à formação de mão de obra especializada. O projeto para criar o laboratório fábrica, batizado Lab-Fab ITR, conta ainda com as participações da UFSC e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do estado de São Paulo.

 

QUEM SÃO ELAS

Terras-raras batizam um grupo de 
17 elementos, cuja produção está concentrada na China

Os óxidos e metais obtidos desse material tem as seguintes aplicações nobres:

» Fabricação de máquinas industriais e aerogeradores de alta eficiência no consumo de energia
» Produção de telas de computadores e televisores
» Superimãs para motores
» Catalisadores para refino de petróleo
» Geradores de energia eólica

As reservas de Minas foram estimadas recentemente em 39 mil toneladas das 40 mil toneladas de reservas do Brasil

O mercado do segmento foi estimado recentemente em 120 mil toneladas no mundo, movimentando US$ 5 bilhões por ano 

 

O plano de negócios para o laboratório-fábrica de ímãs permanentes de terras-raras foi apresentado em novembro de 2016 pela Codemig em parceria com a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), a UFSC, IPT, Fundação Certi e o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), unidade de pesquisa da Comissão Nacional de Energia Nuclear, autarquia vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O projeto recebeu aprovação em 17 de abril na linha de fomento do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)/Finep de Apoio ao Desenvolvimento, Sustentabilidade e Inovação no setor de Mineração e Transformação Mineral (Inova Mineral).

Além de reproduzir a rotina de produção na indústria, para obtenção de ligas e imãs, o laboratório-fábrica terá ambientes preparados para geração de conhecimento técnico-científico em pequisa e desenvolvimento, segundo a Codemig. A Fundação Certi observa que com abundância na matéria-prima a China impôs, na prática, o monopólio no segmento, respondendo por 97% da produção mundial de óxidos de terras-raras e limitou a exportação por meio de cotas. O Brasil depende das importações, o que deixa o país sujeito a preços instáveis e à escassez da oferta num ramo fabril de alta relevância tecnológica.

Ainda de acordo com a Codemig, a exploração dos elementos das terras-raras em Araxá conta com o benefício de tratar um subproduto da produção de ligas de níóbio, outro material associado à tecnologia de ponta. Essas ligas melhoram as propriedades de produtos siderúrgicos, em especial aços de alta resistência usados na fabricação de automóveis, tubulações de gás sob grande pressão e turbinas de aeronaves a jato, entre várias aplicações. Essa característica da extração das terras-raras barateia o custo industrial.

 

Estado de Minas Gerais 

http://www.em.com.br

http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2017/05/08/internas_economia,867443/tecnologia-mineira-vai-processar-terras-raras.shtml

 

Por  Estado de Minas Gerais 

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